O PLANO

Todo projeto começa com um plano, certo?

Parecia vital desde o início ordenar as prioridades daqueles meses de preparação em uma rotina semanal. Isto facilitaria o ”setup diário" de atividades como em um quadro de gestão à vista.

Fomos até uma loja e compramos um quadro pequeno com os dias da semana, pincel de tinta removível e apagador para marcar os principais afazeres.

Compras de equipamentos para o carro, cômodos da casa que seriam encaixotados para a mudança, retirada de vistos, atividade físicas, tudo estava anotado para acompanharmos o progresso.

O quadro de atividades virou nosso "porto seguro" nessa fase de transição, visto que tínhamos acabado de sair dos respectivos empregos que já demandavam bastante planejamento para viagens, projetos, treinamentos, etc.  

Talvez se as coisas ficassem soltas, a sensação de desorganização poderia nos deixar perdidos nesse momento onde muitos pensamentos e sentimentos passam como um turbilhão pela cabeça.

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Tentamos manter o clima mais leve possível naquele período, porém acompanhando sempre de perto o nosso medo da ansiedade atrapalhar. 

Atividade física, leitura, estudo dos roteiros e os exercícios de respiração, relaxamento e meditação foram grandes aliados. 

Com cada "OK" nas atividades, vinha a certeza de que o planejamento estava andando em frente, adiante dia-a-dia.

Sensação muito boa de acompanhar tudo se tornando real, saindo daquele quadro e já sendo dividido em empolgantes conversas com amigos e família...

PRÉ-VIAGEM

 

Será que tudo que juntamos será o suficiente para nos manter na estrada?

A verdade é que nunca se tem certeza absoluta sobre esta resposta.

Em nosso caso, planejamos que parte dos custos durante o período na estrada seriam pagos com os rendimentos do que havíamos economizado até então e o restante com o nosso imóvel que conseguimos locar.

Porém, ainda não sabíamos se os gastos seriam exatamente aqueles que imaginávamos e nem se o dinheiro renderia de forma linear como planejamos.

Se ficássemos paralisados nas reflexões do "SE" nesta etapa, nada sairia do papel. 

Felizmente, seguimos em frente!

 

Sabíamos também que seria necessário um investimento inicial antes de colocar cabeça, ombro, joelho, pé, casa e rodas na estrada.

 

Sendo assim, prontamente criamos um arquivo no computador em que buscávamos reunir todos os custos do pré-viagem (além do veículo em si) em 4 grupos principais:

1. EQUIPAMENTOS DO MOTORHOME

Pode parecer de início que poucos equipamentos serão necessários em uma casa tão pequena ou que uma lista é praticamente intuitiva para os viajantes já que se trata de artigos que cada um utiliza no dia-a-dia, mas garantimos que é extremamente útil organizar uma relação destes itens e acompanhar o andamento das aquisições.

Nesta rotina você consegue checar se todos os itens são realmente necessários, se não está adquirindo equipamentos com poucos ou praticamente nenhuma utilidade para este tipo de aventura e quanto ainda falta para fechar uma relação básica de itens.

Nossa relação de equipamentos conta com praticamente 50 itens que vão desde os mais óbvios como fogão, geladeira, cadeiras e a própria barraca de teto, até cartões de memória, carregadores, pendentes de luz e cadeados. 

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Confecção da cortina adaptada para

ducha traseira 

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Equipamentos variados prontos para entrar nos compartimentos do motorhome

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Resistência 110V, fundamental em locais onde a rede não fosse 220V 

 2. APARELHAGEM DO CARRO

Neste grupo segmentamos os investimentos na produção e instalação dos móveis, revisões mecânicas, instalação dos medidores de performance do carro, aquisição de itens de segurança como alarme, triângulo, cintas de reboque, além das inúmeras peças de reposição e manutenção da viatura.

DICA:

Quando estiver fazendo a relação de peças e equipamentos para manutenção do carro tente imaginar diferentes situações e terrenos adversos do percurso e não esqueça que materiais básicos como fita, corda, silicone, lubrificante e calços são, em muitas das vezes, os que salvam! Lembrando que é praticamente impossível prever todas esta situações e, por isso, alguns itens serão adquiridos durante a caminhada. 

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Chegada do Galão de 20L para armazenamento de combustível extra

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Caixa de ferramentas, bomba d'água, fita isolante e fita crepe

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Adesivagem com o logo do projeto

3. DOCUMENTAÇÃO 

3.1 - CARRO

Consideramos dentro dos custos do pré-viagem todas as adequações necessárias desde a

aquisição do carro como:

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Vistoria: Quem já alguma vez comprou um carro usado e colocou em seu nome sabe das exigências do DETRAN em relação à vistoria para emissão do novo documento. O que nem todos lembram é do preço desta operação, que é recalculado constantemente e deve ser considerado no planejamento.

- Emplacamento: Considerar tanto os custos quanto prazos e local que pretende instalar a nova placa do veículo. 

- IPVA: Este imposto deve ser considerado não somente no "pré-viagem", mas como um gasto anual recorrente.

- Mudança no documento (se necessário): Observe principalmente os campos "Espécie Tipo" e "Capacidade/Potência/Cilindradas" no documento do veículo e verifique se estão corretos. Se necessário, solicite mudança junto ao DETRAN.

Lembrando que poderão haver outros custos futuros relacionados ao carro dependendo do roteiro escolhido como:

- Permissão Internacional para Dirigir (PID): Funcionará como um espelho de sua habilitação atestando que o portador pode trafegar em outros países fora do Mercosul. Lembre-se que ela terá a mesma validade de sua carteira de habilitação.

- Seguros veiculares como Carta Verde (exigidos no Uruguai, Argentina e Paraguai), SOAPEX (exigido no Chile) e SOAT (exigido no Peru e Colômbia)   

3.2 - PESSOAL

- Passaporte: Se você ainda não tem passaporte, é importante solicita-lo o quanto antes junto à Polícia federal, pois trata-se de um documento imprescindível na entrada de diversos países pelo mundo e nem sempre é emitido rapidamente.

Se a validade de seu passaporte estiver prevista para o período em que estiver viajando, renove o documento durante o seu "pré-viagem".

- Vistos presenciais: Alguns países exigem vistos que demandam agendamento presencial no consulado (não são emitidos online) como é o caso dos Estado Unidos da América. Se este é um dos destinos em seu roteiro é fundamental que todas as etapas presenciais sejam concluídas antes da saída do Brasil.   

Passaporte

4. CUIDADOS MÉDICOS

Se você não é organizado em relação ao seu histórico de imunizações e não vê sua carteirinha de vacinação há anos, este é um bom momento para se atualizar e planejar os investimentos necessários neste assunto.

Além disso, é importante considerar a contratação de um seguro viagem para cobertura de eventuais consultas

e procedimentos médicos.

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DICAS:

- Algumas vacinas são oferecidas pela rede pública brasileira, porém outras como Hepatite A e Febre Tifóide devem ser custeadas em clínicas particulares.

- Cerca de 130 países exigem que você comprove sua vacina contra a Febre Amarela (OMS, 2020).

- Para evitar problemas de saúde, médicos recomendam tratamento prévio contra a Malária para acessar algumas regiões, como a Floresta Amazônica (Instituto de Infectologia Emílio Ribas).

 

CUSTOS MENSAIS

Montanhas

Custo médio diário

R$ 185

  • Alimentação 

  • Combustível

  • Hospedagem

  • Manutenção do carro

  • Outros 

  • Lazer 

  • Internet/Telefone 

  • Transporte 

  • Pedágio 

  • Lavanderia

Mas afinal, quanto custa tudo isso?

 

Cada mês é diferente do outro e, por isso mesmo, precisamos estipular desde o começo uma previsão média de nossos gastos mensais e acompanhar se estamos conseguindo cumprir ao fim do período.

Para estipularmos um valor médio diário, conversamos com muitos outros viajantes para termos noção dos custos de se viver na estrada. Claro que isso é muito relativo de pessoa para pessoa, mas tentamos imaginar quais seriam nossos maiores gastos e qual perfil de viajantes seríamos para considerarmos um valor mais concreto.

 

Oscilação mensal

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Fundamental saber também em quais grupos estão se concentrando os custos de cada mês. 

Subdividimos da seguinte forma (ordem decrescente dos custos):

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Para cada um dos grupos acima é importante definir uma meta de gasto individual. Isso pode nos mostrar se estamos gastando muito em uma área para atuarmos no próximo mês, ou se estamos reservando um valor muito alto para algo que não está sendo relevante dentro dos custos.

É possível rever os valores estipulados por grupo com frequência trimestral ou semestral. 

Porcentagem dos nossos custos reais em relação à meta definida

 

DIÁRIO FINANCEIRO

  • Que dia?

  • Quanto?

  • Com que?

  • Como foi pago?

  • Aonde?

Estas são algumas perguntas que devem ser respondidas em um diário como este.

Uma relação atualizada dos custos pode responder perguntas como:

  • Qual é o nosso maior custo?

  • Qual é a frequência que ficamos em hospedagens pagas?

  • Em qual estado gastamos mais?

  • Estamos gastando muito com restaurantes e delivery?

  • Em algum mês de viagem nosso orçamento "estourou"?

  • Hoje gastamos mais do que a média estipulada?                                                         ...

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A lista de perguntas que serão respondidas será extensa. Ótimo!

Você já deve ter ouvido que todo e qualquer custo de um dia deve ser anotado!

Assim como em qualquer tipo de diário é fundamental uma rotina no preenchimento. Se não estiver com papel e caneta, vale também o bloco de notas do celular. O importante é que estes dados não se acumulem por mais de um dia.   

Realmente este é o principal controle e base de dados para qualquer análise financeira da viagem.

Confira abaixo algumas informações geradas:

Verde Azul Simples Balanced Scorecard Gr
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